Máquina do Tempo

sexta-feira, junho 23

PARABÉNS PATRíCIA

Pensavam que mais ninguém fazia anos neste mês???? Enganaram-se...!! hoje é dia de aniversário na Máquina!!! o da nossa Patrícia, como a tratamos de forma carinhosa . Patrícia faz parte do mobiliário como me diziam aqui à dias, é verdade, ela tem estado connosco desde o princípio, mas mais, tem estado acreditando neste projecto e vivendo-o como ninguém... ela já foi a Carochinha, foi Virgem Maria, foi a cozinheira dos nossos jantares temáticos (esta foi bem metida linda) , foi a Gaivota, a bruxa má da Cinderela, é uma das Irmoas das Pastorinhas, freira, enfim uma série de personagens que tem vivido na Máquina e ainda foi uma deslumbrante Lua na Lenda. A Patricia além de ser uma grande actriz é uma excelente amiga, a boa disposição em pessoa, aquela que faz sempre falta quando não está. Para mim foi e será sempre uma grande amiga...tu sabes linda...e para ti te desejo o melhor do mundo hoje e sempre e espero que tenhas a teu lado quem te saiba valorizar como a Grande Mulher que eu sei que tu és. Amiga, mil beijinhos para ti com muito carinho.

quarta-feira, junho 21

A COR DOS SONHOS




Sem sonhos esta vida é apenas uma casa vazia, árvores despidas de Outono, dia sem luz, noite sem luar, lágrimas…lágrimas que se misturam com as águas destas lagoas onde os sonhos se perdem nos labirintos do silencio…

Sonhos, ilusões
Dança de paixão incontida
Rodopia em meu peito
Uma dança de fantasia.

Sonhos, contradições
Voo nas asas da vida.
Planarei como milhafre
Em perfeita sinfonia.

Sonhos de loucura,
Incompreendidos desejos...
Aprisionados os sonhos
Falsos serão os beijos

Sonhos de paixão
De quimeras exaltação
Danço pela tua mão
Infinito é o coração

Sonhos, contradições
Voo nas asas da vida.
Planarei como milhafre
Em perfeita sinfonia.

domingo, junho 18

GENTE QUE SENTE


Gente que sente que a vida é um compromisso, que a amizade é cais de espera, que o amor é um barco com a vela desfraldada ao vento, sem rumo, sem trégua para o infinito, porque infinito é o sentir das gentes desta Ilha...
Tóquem a rebate os sinos, até que nos dôa a alma, pois descobri que há gente que não sente, que não vive, que vê diferente, mas está presente, fazendo-nos lembrar o lado mais escuro da Lua...da Lua?...A sedução aos tolos, a promessa pobre de sentido, fogo fátuo de paixão, incontida malvadez, pronuncio de escuridão...só não entendo é porque choram estes seres...sem comoção, sem verdade, sim, porque também se chora de verdade, alguns...
Emocionei-me ao entrar naquéla igreja, uma incontida alegria expressa no coro e orquestra pautavam a cerimónia. Vestidos de Noivas, Principes e pequenos adultos, ostentavam no olhar a fé, a verdade que lhes foi oferecida. Com alegria e exaltação esperavam o momento de mãos dadas com os progenitores..."É o meu corpo, tomai, comei. É o meu sangue, tomai bebei...Fazei isto em memória de "Mim"...
Aliança firmada no tempo, para sempre, mas para sempre é tanto tempo, meu Deus... É que no tempo quero encontrar apenas quem ... sente...

PARABÉNS ANA, ATRASADOS MAS SENTIDOS

Também me acontecem destas, a Ana nossa Garça na lenda, fez anos dia 15 deste mês, despercebi-me no dia, aqui te peço as minhas desculpas mas não queria deixar de te desejar um ano florido e cheio de sol.
Tens o céu e o infinito
Na ponta da tua asa
Sombras escondem o verde
No chegar da madrugadaLá do alto olhas a Ilha
No nascer de mais um dia
Cresce o dia chega a noite
Voo de muda sinfonia
Bailas no céu uma dança
E depois voas baixinho
Transportas pedaços de azul
Com que pintas teu ninho
Pairas sobre a lagoa
Não tens idade nem tempo
Presa à ilha ficaste
Alquimia doce encanto
No alto um pontinho dança
Faz desenhos de magia
O bailado fica estranho
A garça tem a asa ferida

PARABÉNS TERESA




No passar da madrugada
dissipa-se o nevoeiro
nesta ilha encantada
derramada em teu peito

Acalma-se o vento é manhã
Chilreiam os pássaros em alegria
Sacodem gotas de orvalho
Das penas, nasceu o dia

Chocalhos, gritos, latidos
Desperta a vida, reina a vida
Do seio da ilha corre
Orvalho e nostalgia

Ó ilha de encantamento
De feitiço, da lenda viva
Escuta rumor do vento
Descobre em ti a magia

E é nesta ilha que sonhas
Transformas a dor em canto
És uma bonita pessoa
Com imensa alegria e encanto



























Parabéns Teresa por este dia, que a vida te sorria na mesma quantidade que tu sorris para a vida e nada de dar chapadões hoje....

segunda-feira, junho 12

QUEM ÉS TU





Sabes quem és?
Para onde vais?
De onde vens, duvido ... tudo começa com um acaso, será?! Um olhar dá início ao negócio, alguma excitação, nem sempre prazer e quando sentes novamente o ruído do mundo, terás influenciado um coisa muito séria. Tão simples!? Tão friamente vago... acontece, muitas vezes, mais do que possas imaginar... faz-se amor, deixemo-nos de merdas, dá-se uma queca, apenas com as coxas, suspiros e perfume de mau gosto à vista, excitação!...
Influenciamos a vida, o mundo, os acontecimentos, deslocamos as pedras, às vezes construímos muros, outras uma casa, talvez uma vida, a nossa? A dos outros? Quantas vezes influenciaste a vida de tantos? Não te lembras, claro! As pessoas são ferramentas para cumprires uma tarefa. Tu és uma ferramenta, ou alguém que a usa?... valha-me Nossa Senhora da Agréla, que não há Santa como ela ... eu apenas queria saber quem és, porque hajes assim, porque desistes à noite das coisas importantes e pensas que as queres novamente no despertar do amanhã. Não tem nada ver contigo, tem tudo a ver com tudo, tudo a ver com nada ... delírios da alma na sua confusão mundana, com música tola, foguetes e sapatos apertados nos pés ... o que é chato p'ra burro e dói, dores constantes, mágoas com ou sem sentido, lá estou eu a inventar novamente. E aquí que ninguém nos houve, quem és tu? O que és tu, para onde vais, de onde vens? Desafio?! não, mas que gostava de saber, lá isso ... gostava ...

sexta-feira, junho 9

Só ontem vi a Lenda...!

Estou em dívida para com a Máquina e suas peças (leia-se actores, contra-regras, pontos, e demais colaboradores de plateau)! A minha vida como vocês sabem reparte-se semanalmente entre Sintra e Ponta Delgada e por esse motivo não tenho a disponibilidade que tanto gostaria para visitar a nossa página, comentar os artigos dos colegas, responder a referências quando me são feitas (obrigado Maria Moreira, obrigado Armando Moreira, obrigado Fernando Franco) e escrevinhar umas linhas para contribuir para a manutenção da página sempre em alta. De quando em quando dou uma espreitadela e deleito-me com tantos artigos bonitos (parabéns Rui Pacheco - escreves muito bem, tens muita sensibilidade; gostei de te conhecer). Os colegas de plateau são todos lindas pessoas e bem que gostaria de me dirigir a cada um para dizer o quanto me vai na alma. A falta de tempo tem-me levado porém a adiar a escrita, sempre à espera dum momento apropriado, e a consequência é a página sempre em branco. Decido agora escrever pouco, mas não deixar passar nem mais um dia sem dizer um olá a todos.
Como disse no título, só ontem vi a Lenda. É verdade, nos ensaios no Coliseu nunca abandonei o meu posto nos bastidores do palco para ver os outros à distância da plateia; durante os espectáculos...nada, obviamente; no dia em que o grupo se juntou para ver as fotos e sobretudo os filmes eu estava ausente e assim se passaram os dias. Mas a Maria e o Armando aperceberam-se de que o Vento era o único que não tinha visto ainda como tinha sido a Lenda e vai daí preparam-me um opíparo jantar com direito a sessão privada de cinema & fotos - por isso só ontem vi a Lenda! Que lindo espectáculo! Encenação magnífica, cores, luzes, efeitos especiais, marcação de palco, texto, canções e arranjos musicais, guarda-roupa de grande nível, enfim, um resultado notável que não nos faz envergonhar em nenhum palco! Falhas, claro, também as houve (quem não as tem que se chegue à frente), mas essas ficam para trabalho de casa.
Armando e Maria, Ponta Delgada agradece, a cultura açoriana agradece. Um bem-haja para todos. Um abraço e até breve no palco.

quarta-feira, junho 7

TU NEM IMAGINAS!!!!! PARABÉNS PAULA E HUMBERTO

Hoje é dia de aniversário na Máquina do Tempo, a Paula Fagundo, mais conhecida entre nós por Baloa, festeja hoje mais uma primavera, é uma jovem esta rapariga.
A Paula está connosco desde o nosso primeiro jantar da Máquina, tem sido a esposa do Capitão de Donatário e ainda foi um cavalo de crina loura na Carochinha, a fada madrinha da Cinderela, fez a coreografia da Atlântida na Açores Moda, é minha parceira nos Emigrantes, tem sido um elemento muito importante na nossa Máquina.
Agora perguntem-me porquê Baloa?? A Paula natural da Povoação cresceu e viveu nas Bermudas, quando regressou à sua terra natal trazia uma confusão muito grande no português, confusão essa que ainda se percebe, um dia teve o azar da chamar baloas a uns balões e claro que ficou por Baloa, nome que lhe damos de forma carinhosa.
Tu nem imaginas...!!!! como gostamos de ti Baloa. Um dia muito feliz para ti com tudo de bom.





Não, nao são gémeos nem nasceram no mesmo dia apesar da amizade que os une, o Humberto já fez anos no sábado dia 3 de Junho, eu por problemas com a internet não coloquei o poste dele e deixei para hoje. O Humberto tem sido o nosso frade dos jantares, aqui com o Bruno, além de sacristão, participou também na coreografia da Atlântida e nos Emigrantes, uma das características dele é a constante boa disposição e um grande gosto por viagens...amigo muitos parabéns e que este ano te traga pelo menos uma boa meia dúzia de viagens.



terça-feira, junho 6

O ÚLTIMO APLAUSO

Foto de Rui Pacheco
O Coliseu está vazio, nos camarins abraços, sorrisos, olhos marejados de lágrimas...já está, segundo espectáculo, outro êxito...viste aquela gente toda de pé emocionada a aplaudir-nos?!...não é normal encher dois Coliseus, grandes nomes têm passado por cá, com casas quase vazias...a "Máquina do Tempo" ainda arrasta as pessoas, e eu, viste a minha entrada, as luzes...correu tudo tão bem, foi mais uma noite mágica...
Magia, ou o feitiço das Lagoas, transportado nas asas do sonho de um grupo de descendentes dos "Atlantes", que herdaram o poder de domar os Ventos, soltar o Nevoeiro e encobrir a Lua, com sussuros vindos da alma. Sim podem acreditar, ser ilhéu é fazer parte da Ilha, é transformar o verde em pão, a lava em vinho e sonho em certeza, que nunca acaba, pois é imenso o coração destes homens, confundem-se com as árvores, misturam-se com as águas dos Lagos, com as mesmas com que são baptizados para a vida e unjidos na partida, porque acredito que às ilhas voltam, renascendo em alguma manhã envoltos em gotas de orvalho...oiçam com atenção, não é apenas o canto dos pássaros, o vento traz o choro de uma criança, a vida renova-se a esperança concretiza-se, o palco que é ilha recebe mais um actor. Os sorrisos, a ternura em vez do aplauso..."Quem és tu...? que papel te terá sido dado...? um principe?...um mendigo?...uma comédia d'enganos para sete ventos de magia...sete ventos de saudades...pois sete e muitas vezes pisarás este palco nesta ilha das sete dioceses...das sete cidades". Atravessei o plateau...desci as escadas...sentei-me na segunda fila...fechei os olhos durante alguns segundos o silêncio...depois o aplauso, o último aplauso...abri os olhos e uma pequenita fitava-me "- então quando é que fazemos a peça outra vez?" , "- qualquer dia, qualquer dia, dentro de poucos dias creio eu, - achas que eu fiz tudo bem?..." para ti Bia o último aplauso.
Foto do João Chaves

sexta-feira, junho 2

UM GRANDE TRABALHO, UMA GRANDE MULHER, MARIA MOREIRA






Foi uma honra ter feito este trabalho com um grupo de pessoas de enorme talento, apaixonadas e com uma profunda confiança na minha pessoa, embarcando comigo neste sonho e reescrevendo uma das mais belas lendas dos Açores. A idéia com que fiquei é que construímos uma nova lenda e teremos feito história na ficção Açoriana, mas nada teria sido possível se por qualquer ironia não se tivesse juntado um grupo de raros talentos que do conjunto das suas paixões fabricou a magia que eu perseguia à alguns anos. Foram muitos os ventos da tormenta, os ventos da saudade, choramos, rimos, encanto e desencanto, raiva, medos, inseguranças e muitas incertezas da minha parte e, a... Maria sempre a Maria...esta lenda, este sonho tem na tua "pessoa" a chave do impossível tornado realidade, no fundo inventaste a fórmula mágica de dar luz às palavras, no feitiço do conto com fundos da melodia da flauta, a tal que liga os dois Mundos onde te tenho obrigado a estar e a todos os que acreditam que "nada é por acaso"...

Fernando: um profundo respeito, pela rara inteligência, sensibilidade, bom senso "grande pessoa" grande actor, grande passagem por este Mundo...

Patrícia: muito para além deste monstro de palco que és, embarcaste comigo nestas teatrices à cerca de 10 anos, é preciso gostar muito de uma pessoa para a aturar este tempo todo, és a minha vela de estái, no palco tal como na vida sei que podemos sempre contar um com o outro...

Bruno: estás a crescer como actor e como homem, a forma honesta e sincera como encaras a vida, tem gerado a amizade em crescente que sinto por ti, tens-me ajudado muito para além do palco, cativas tudo o que te rodeia sem ter necessidade de ser simpático...

Catarina: pois é rapariga, eu nunca tive dúvidas, quando queres sobes...sobes e chegas onde muito poucos o conseguem, não tenhas dúvidas, voa... vai para onde te mandar o coração...

Ana Couto: eu sabia, eu tinha e tenho a certeza, há aí uma grande alma, escondida neste teu semblante de mulher chata, mas com a doçura que só alguns conseguem ver. Pedi-te a Lua e o Sol, fintaste-me, deste-me um céu cheio de luz, numa garça mítica...

Sandra: grande actriz, grande amiga, grande pessoa, grande, tão...grande...

Luís: quando alguém me abraça como tu o fizeste, quando um homem chora, fá-lo com sinceridade, com a verdade da vida, das coisas...com pessoas como tu eu quero ir, continuar a sonhar, pois sei que não terás dúvidas em brindar comigo da mesma taça...

Pedro: já fiz de ti um pastor, um lapeiro, e se deixares faço de ti um grande actor, porque acredito em ti, falta apenas acreditares tu também...

Amélia: tens tudo, mesmo que penses que não tens nada, és actriz, pronto acabou-se, e das boas e fizeste uma coisa muito rara...que todos gostassemos de ti, repito...todos... mágico desempenho...

Teresa: paixão, muita, imensa...és bonita, uma bonita pessoa, fiel sincera pura como a tua voz, dás sempre tudo o que tens e mais, sempre um pouquinho mais...a Lenda foi muito tua, envolveste-te nela de tal forma, que já não sei se não terás sido uma personagem real da mesma...tens o mundo à tua espera...voa...vive!...

Helena: uma vénia, "é uma honra", deste ao grupo o toque de classe musical que faltava, mas és muito mais do que isso, uma grande profissional, uma grande cantora, uma grande pessoa com quem dá gosto privar e continuar a sonhar...

Beatriz, Catariana e Rodrigo: pequenos grandes actores, vale sempre a pena quando a alma é grande em corpo pequeno...

Luísa: grande trabalho, o sucesso da peça tem também e de que maneira a tua responsabilidade...valeu a pena continuar acreditar que nunca deixaste de ser minha amiga...

Cheila, Marisa e Joana: o palco está à vossa espera...

Clayton e Paulo: grande trabalho...imenso...

Gorete: os desafios da Maria, são um mundo de fascínio...

Gilberto e Vasco: grande trabalho de caracterização, obrigado por serem meus Amigos...

A LENDA
DAS
SETE CIDADES


Lenda da Princesa e do Pastor


Texto de Armando Moreira


Marcação: Entra em cena um casal pelo lado direito (ele com ar de enfado, ela cheia de romantismo pois os dois acabam de chegar à Baía do Silêncio)

Guarda-roupa: Normal
Sons de fundo: Ambiente nocturno nas Sete Cidades
Luz: Recortes corpo e rostos

MULHER: Que noite! O céu está em festa, as estrelas despertam-nos os sonhos e esta Lua, ah a Lua…

HOMEM: Pois, a Lua está lá em cima e nós aqui à beira desta lagoa, como dois…

MULHER: Ora homem, não há uma pinga de romantismo em ti? A Lua desperta a paixão dos ditosos amantes…

HOMEM: Deixa-te dessas coisas, a Lua não nos põe o pão na mesa, nem a água desta lagoa nos mata a sede…

MULHER: A alma também precisa de alimento, para a fome o amor, para a sede a ternura…

HOMEM: Muito bem falas tu, mas o que dizes na prática não representa…nada…

MULHER: Nada?! Ao sabor da tua vontade, a nossa vida transformou-se num deserto de…nadas…

HOMEM: O que é que queres mais…sempre a complicar…nada te falta!...e eu é trabalho, trabalho e…vai-se andando…

MULHER: E achas que é tudo!? Onde é que fica a atenção, os gestos bonitos que tinhas para comigo, a ternura, fica tudo no trabalho, não é?

HOMEM: Nesta loucura de contradições em que tu mergulhaste a nossa vida, é no trabalho que encontro a paz que procuro em cada dia que acaba…

MULHER: Paz…paz é para quem morre, eu estou bem viva, e quero viver a vida, fazer coisas…criar…

HOMEM: Criar…pedi-te que me desses um filho, mas o teu egoísmo foi mais forte…sou ainda muito nova, quero gozar a vida! …

MULHER: E não achas que tenho razão!?...Ter um filho nos braços o dia inteiro?...Eu quero sonhar com as coisas bonitas, quero ter o meu conto de fadas…voar nas asas da lenda…

HOMEM: Põe-me os pés na terra, a vida não é uma lenda, é labuta…trabalho, fazer por ela…não é apinocarte e estar o dia inteiro a olhar para anteontem…

MULHER: Olhar para anteontem?...Vejo muito para além desse teu mundo feito de suor e pancadas de martelo…

HOMEM: Ora mulher, para andares com a cabeça lá por cima, eu tenho que martelar bastante cá por baixo…cresce, ou…desce…

MULHER: Tens nas palavras a rudeza de um cabreiro…um pastor…

HOMEM: E tu? …Tu? Estás convencida que és uma princesa?
Marcação: Entra em cena um casal pelo lado direito (ele com ar de enfado, ela cheia de romantismo pois os dois acabam de chegar à Baía do Silêncio)

Guarda-roupa: Normal
Sons de fundo: Ambiente nocturno nas Sete Cidades
Luz: Recortes corpo e rostos

MULHER: Que noite! O céu está em festa, as estrelas despertam-nos os sonhos e esta Lua, ah a Lua…

HOMEM: Pois, a Lua está lá em cima e nós aqui à beira desta lagoa, como dois…

MULHER: Ora homem, não há uma pinga de romantismo em ti? A Lua desperta a paixão dos ditosos amantes…

HOMEM: Deixa-te dessas coisas, a Lua não nos põe o pão na mesa, nem a água desta lagoa nos mata a sede…

MULHER: A alma também precisa de alimento, para a fome o amor, para a sede a ternura…

HOMEM: Muito bem falas tu, mas o que dizes na prática não representa…nada…

MULHER: Nada?! Ao sabor da tua vontade, a nossa vida transformou-se num deserto de…nadas…

HOMEM: O que é que queres mais…sempre a complicar…nada te falta!...e eu é trabalho, trabalho e…vai-se andando…

MULHER: E achas que é tudo!? Onde é que fica a atenção, os gestos bonitos que tinhas para comigo, a ternura, fica tudo no trabalho, não é?

HOMEM: Nesta loucura de contradições em que tu mergulhaste a nossa vida, é no trabalho que encontro a paz que procuro em cada dia que acaba…

MULHER: Paz…paz é para quem morre, eu estou bem viva, e quero viver a vida, fazer coisas…criar…

HOMEM: Criar…pedi-te que me desses um filho, mas o teu egoísmo foi mais forte…sou ainda muito nova, quero gozar a vida! …

MULHER: E não achas que tenho razão!?...Ter um filho nos braços o dia inteiro?...Eu quero sonhar com as coisas bonitas, quero ter o meu conto de fadas…voar nas asas da lenda…

HOMEM: Põe-me os pés na terra, a vida não é uma lenda, é labuta…trabalho, fazer por ela…não é apinocarte e estar o dia inteiro a olhar para anteontem…

MULHER: Olhar para anteontem?...Vejo muito para além desse teu mundo feito de suor e pancadas de martelo…

HOMEM: Ora mulher, para andares com a cabeça lá por cima, eu tenho que martelar bastante cá por baixo…cresce, ou…desce…

MULHER: Tens nas palavras a rudeza de um cabreiro…um pastor…

HOMEM: E tu? …Tu? Estás convencida que és uma princesa?

quinta-feira, junho 1

OS MEUS BASTIDORES

Não nasci com dotes de escrita mas também isso não me preocupa agora, o que pretendo nestas linhas é talvez fazer-me compreender, por ser uma pessoa pouco expansiva, que nem sempre deixa transparecer o que sente.
Este projecto da Lenda foi sonhado pelo Armando já há uns 3 anos, ele sonhou...e começou a dar vida a esse sonho no papel... durante os primeiros 2 anos não passou de uma busca...uma procura...encontros e desencontros...onde ele escreveu, voltou a escrever, alterou e voltou a alterar e eu como ele, acabei por embarcar nesta viagem... Em vez de o chamar à razão como é meu costume, dei por mim dizendo-lhe "vamos em frente, este projecto temos do o concretizar". À pouco mais de um ano com um texto definitivo e um grupo pequeno de pessoas que acreditaram nele e para eles vão as minhas palavras agora, Luís Rocha e Patricia Rego, vocês os dois nunca duvidaram deste trabalho e foram muitas as vezes que vocês é que nos deram ânimo. Começou o trabalho a sério!!! ensaios... procura das pessoas certas para as personagens...não foi fácil, a Catarina e a Sandra passaram por várias personagens, desanimando algumas vezes, sofrendo muitas outras mas como qualquer processo natural foram encontrando a sua personagem, depois reentrou o Bruno que logo o vimos como Rei, contrariado lá aceitou porque também ele acreditou logo neste projecto. Tivémos algumas desistências por motivos de vidas pessoais, a nossa Paula Sousa que era o nevoeiro, foi mãe, com muita pena teve de de se encontrar outro nevoeiro, depois de várias tentativas frustradas a nossa Sandra deslumbra-nos com um excelente nevoeiro, encontrado que estava vamos partir para o Bobo, Mário Roberto por nascimento do seu filho mais novo também desistiu, a vítima desta feita foi a Catarina que sofreu, vacilou e duvidou, mas conseguiu e chegou lá. Entra mais gente nova, a Amélia acabadinha de chegar da Horta e com imensa vontade de fazer teatro com uma dicção excelente...está encontrado um dos espíritos e agora o outro??? Armando não desanima, convida o Fernando Franco, "...agora Armando achas que o Fernando vai perder tempo nestas teatrices connosco...??" Lá está a chata a falar... Depois de uma ótima bebida no seu bar na praia de Água d'Alto, como vêem ainda no verão passado, vejo o Fernando ficar entusiasmado...benvindo à equipa Fernando, com a tua postura, palavras e bom feitio trazes muito equilibrio a este grupo...encontrado que está o outro espirito, quem falta?? Caídas do céu aparecem-nos duas vozes lindíssimas, a Helena trazida pela Catarina que como ela diz em termos mais técnicos "não sou uma cantora lírica mas sim ligeira" e a Teresa mais uma aposta do Armando, tudo bem estamos quase todos, só falta o pastor...temos o Pedro, tem uma boa postura, mãos à obra!! no fim do Verão o Armando lembra-se de acrescentar ainda mais uma personagem, a Garça, lembramo-nos logo da Ana, namorada do Pedro... mais uma vez eu... je... a chata... "Armando desculpa, eu gosto muito da Ana mas isto não vai dar certo, a Ana fala muito baixinho, não sei mas penso que te vais consumir..." pois consumir, consumimo-nos contigo Ana e tu connosco, deixa-me tirar-te o chapéu, a forma como tu aceitaste as críticas!!!! e eu reconheço que fui a pior...!!! não te peço desculpa nem sei se isso influênciou mas que fizeste um excelente trabalho em palco lá fizeste, por isso fiz grande questão de te dar aquele abraço no fim, mostraste-me que eu estava errada e a aposta do Armando mais uma vez estava certa. Ainda temos de acrescentar a este elenco, três crianças amorosas, Beatriz, Catarina e Rodrigo que se portaram melhor que muita gente grande e o meu obrigado para os respectivos pais, o entusiasmo deles era tanto como o dos filhos, foram incansáveis.
Depois do elenco temos de pensar na rectaguarda, pois muitas vezes esquecemo-nos dos que não dão o rosto, que não sobem para o palco, dois contra regras, Luísa Teixeira nossa companheira de longos anos, com mais briga menos briga tem estado ao nosso lado e a Cheila, elemento repiscado agora no fim, apesar de já ter colaborado connosco por motivos profissionais tinha-se afastado. Dois pontos, Joana Cabral e Marisa Rodrigues, duas miudas que acompanharam os ensaios desde o principio ajudando-nos em tudo o necessário. Tenho também de referir a simpatia e a disponibilidade do pessoal do Coliseu Micaelense, especialmente na pessoa do Toni Faria que foi indispensável ao sucesso desta peça. Mais atrás ainda os meus grandes amigos Vasco e Gilberto Silva que foram os responsáveis pelos cabelos e maquilhagens, que em tudo me têm ajudado e colaborado, sempre com alegria e boa vontade. Agora mais atrás ainda Gorete Andrade, a minha costureira já lá vão uns 6 anos, teve a responsabilidade de uma grande parte do nosso guarda-roupa, uma colaboradora excelente.
Aqui quero deixar a minha homenagem a todos vós, foi com esta equipa que conseguimos levar avante este trabalho, com muito sofrimento, com alguns atritos, muitas vezes eu vacilei, eu desesperei, fiz o Armando desesperar...enfim no entanto quero-vos dizer que na sexta feira depois da estreia tudo isso tinha esquecido e dei por mim a responder à Solange Vieira que nao tinha sido um trabalho muito dificil, ela própria estranhou e questionou-me nesse sentido, foi...foi muito dificil...dias houve em que eram chorados...mágoas, vivi tudo isto estes meses...mas valeu a pena trabalhar convosco e se possível outra vez o farei, até tenho saudades dos ensaios e... voltando ao principio eu senti com muita alegria o trabalho feito, senti na sexta, senti no sábado e sentirei de todas as vezes que o levarmos à cena, só espero que vocês todos tenham sentido como eu, o orgulho e a amizade que tenho por vós, é por isso que aqui estou, se não consegui transmitir isso a tempo aqui estou a fazê-lo.
Mas para isto houve uma pessoa que sonhou, sofreu mas conseguiu dar vida a este sonho... sonhou por todos nós e conseguiu realizar o sonho de toda esta gente...para ti Armando vão os nossos aplausos.

Foto de Rui Pacheco (Zuca)