Máquina do Tempo

sexta-feira, março 31

ROMEIRAS

Avé Maria... Cheia de graça... Senhor é convosco... Bendita sois vós... Entre as mulheres...
Foi assim que Ponta Delgada despertou no sábado passado, as Irmãs Romeiras encheram as ruas cantando a Avé Maria e parando para rezar em todas as Igrejas do percurso.
Santa Maria... Mãe de Deus... Rogai por nós pecadores...
Passavam poucos minutos das 5h da manhã quando começou a Missa na Igreja de Santa Clara, as Irmãs enchiam a Igreja, eram cerca de 600 com o tradicional lenço de Romeiro, terço na mão e uma Fé contagiante... "Irmãs temos de partir, a caminhada é longa, vamo-nos organizar, crianças para a frente e vamos saindo... " seriam umas 6h e pouco da manhã, começava a clarear o dia...
"Vamos rezando, pedimos por todos os que sofrem, não te preocupes que eu vou rezar por ti"
... Avé Maria... Cheia de graça... Senhor é convosco...

A distância a percorrer ainda é grande, são cerca de 15 Km atravessando a Ilha da costa sul à costa norte, estas mulheres e algumas crianças vão unidas por um sentimento de Fé e Esperança cantando e rezando pedem a Maria que venham melhores dias para todos.
Santa Maria...Mãe de Deus... Rogai por nós pecadores...Debaixo de chuva ou de sol, nada demoveu estas mulheres da sua intenção de Fé, apenas algumas crianças davam nota da sua fragilidade... A caminhada terminou já passava das 17h na Igreja do Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês, freguesia de Calhetas. Mas nos seus rostos não se vê o cansaço, vê-se dor, desespero, alegria e muita devoção... O silêncio comovia...só as vozes entoando...
Avé Maria... Cheia de graça... Senhor é convosco... Bendita sois vós... Entre as mulheres... Bendito é o fruto... do vosso ventre, Jesus. Santa Maria... Mãe de Deus... Rogai por nós pecadores... Agora e na hora da nossa morte...Amen...

Acaso


Coincidências? Banalidades? Loucuras? Verdades? Destinos? Acasos?
Por acaso, não foi por acaso, nada é por acaso, nada...
A vida é uma peça de teatro em que combinámos todo o guião e as contracenas?
A vida é uma peça de teatro em que podemos repetir sempre que nos enganarmos no guião? Ou, a Vida é um dom que nos foi concedido com uma missão específica a cumprir "enfeitada" de outros dons?.......
Temos tanto para partilhar, e eu ainda não vos disse nada...


"Cada um que passa em nossa vida,passa sozinho,
pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso. "

(Antoine de Saint-Exupéry)

quarta-feira, março 29

ESTA ILHA TEM MISTÉRIO ( O GUIÃO )


Malvado telefone, quem será agora?...estou, quem fala?... Eh senhô, é da casa do srº pintor?... Pintor de quê, minha senhora?... Éme o senhor que pinta quadros!...aaaaaah, é o próprio, Armando Moreira, em que é que lhe posso ser útil?... sabe srº Moreira, a gente queria que o srº nos pintasse o guião de Nossa Senhora, é que o outro está como se tudo aquilo estivesse a chorar... a chorar como minha senhora?... a gente não sabe bem, mas é uma coisa muito esquisita, acho que o srº devia vir cá acima ver isto...
Lá fui eu, máquina fotográfica à tiracola, e comitiva de recepção à minha espera, três senhoras trajando de negro e o sr. José, guardião do templo, sacristão à mais de trinta anos, olhar franco com um brilho de desconfiança natural nas pessoas das freguesias.
Realmente eu nunca vi uma coisa assim, esta pintura está a desfazer-se, é como se a tinta esteja a chorar, será do pano?... da tinta?... sei lá ... ora vai ter que se pintar um guião novo...o srº Moreira tome atenção é que a festa de Nossa Senhora é já daquí a dois meses...vamos ver, vai ter que dar tempo. Combinado o preço e outros pormenores do trabalho, lá segui rumo a Ponta Delgada, com a promessa de voltar uma semana depois com amostras do tecido e fazer fotos da Santa. Assim foi, uma semana depois estava à porta da igreja de máquina em punho, estava uma tarde linda e soalheira, apenas o chilreado dos pássaros quebravam a paz que se respirava alí no adro junto ao templo...eh sr. Moreira, esteja à vontade esta é a casa de Deus e sua também, o srº faça o que entender que eu vou ali mudar uns gueixos e já volto. Entrei e olhei para o altar-mor onde estava a Santa...já tenho aqui um problema, como é que eu vou ali acima fazer fotos de forma a ter uma visão periférica correcta da imagem?... depois de muitas voltas lá consegui trepar por uma escada toscamente talhada por detrás do altar e posicionei-me, lateralmente para um postigo existente, ora como a imagem estava de perfil para mim naquela posição, havia que a virar de frente... aqui começa o estranho da história ... Um estranho e intrigante silêncio, nem se ouviam os pássaros ... Achei que, qualquer coisa, não batia certo, era como se o mundo tivesse parado ... Ora bem vamos lá virar a imagem para mim com todo o cuidado, não haja algum desastre e ainda me cai do altar abaixo...abracei aImagem para a virar e ... uma grande confusão de sentimentos assaltou-me o espírito... a imagem não era de loiça, era como se estivesse a abraçar uma pessoa, e o que me invadiu foi um uma sensação de profunda paz e bem estar, a minha cabeça tentava descodificar tudo aquilo mas...dei por mim a descer a tosca escada, sem saber muito bem o que se tinha passado ali, tampouco ter tirado as ditas fotos...olhei para para trás já ia eu pelo corredor centro da igreja e lembrei-me não ter virado novamente a imagem para a frente...A Virgem estava na sua correcta posição e olhava-me com um sorriso no semblante...
As fotos estavam na máquina, o guião foi pintado, dizem que o mesmo faz milagres, cura as pessoas e que quando sai a procissão as pessoas choram ao olhá-lo...
Que raio de maluqueira me terá dado...porque cargas de água vos estou eu a contar isto????

segunda-feira, março 27

Mau Tempo






"No mais interno fundo das profundas
Cavernas altasonde o mar se esconde,
Lá donde as ondas saem furibundas,
Quando às iras do vento o mar responde,
Neptuno mora e moram as jucundas
Nereidas e outros Deuses do mar, onde
As águas campo deixam às cidades
Que habitam estas húmidas Deidades."
Ola pessoal!Espero que apreciem as fotos...Maria não fiques invejosa(lol).

"MAIOR HOLOCAUSTO ANIMAL: AGE"

Vi um dia uma reportagem sobre este assunto e fiquei estarrecida, não pude deixar de me associar a este apelo, visitem este blog www.mategoinmente.blogspot.com, e não deixem de assinar a petição.
Eu senti vergonha, e você...???

MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES...O POETA JOÃO MENDONÇA

Por favor, as pancadas de Moliére, abram o pano...luzes, minhas senhoras e meus senhores...João Mendonça e Zeca Medeiros...Ooooooh palhaço!...Eu sou o palhaço que ri...Amanhece sobre os lagos, amanhece, será a primeira vêz, amanhece sobre os lagos, será a última vêz...
Está decidido, vamos a Londres fazer a animação do casamento deste nobre inglês e da portuguesa...pois a história a levar, telefona ao professor Hermano Saraiva, ele há-de ter alguma história dos cronistas da época...então Zeca, o Homem está desconfiado?!...este deve pensar que sou algum talibã. No aeroporto de Londres a nosso grupo deixava à sua passagem alguma curiosidade e desconfiança, violas, tambores, adulfes e a Patrícia Rego a desatinar com a música pimba, mais a nossa fisionomia de traços Árabes, era só olhar para a Maria e o Zeca, não ajudava nada numa capital em que as pessoas ainda têm mentalidade colonialista. Chegamos já era noite, frio com'a burro, as anedotas do João e a sua forma de transformar complicações em coisas engraçadas, iam animando a malta...eh Rogério a porcaria do cartão de crédito do BCA não dá dinheiro?!...e se agente fosse tomar uma cachacinha? boa idéia, o Carlos Frazão "pianista", estava sempre pronto para um copo. E a magia aconteceu, a representação da mais velha aliança do João Mendonça e a voz do Zeca Medeiros, encheram o Philips Court Club com as nossas sonoridades e um forma muito própria de representar...É preciso ter muita lata para vir representar à terra de Shakespeare...
Foi preciso muita paixão para que ao longo de 10 anos se mantivesse acesa a chama de um projecto (Máquina do Tempo), com um mundo de dificuldades, algumas difíceis de superar...Mas valeu a pena, porque esta viagem começou contigo, meu caro amigo João e com um conjunto de pessoas muito bonitas, que ainda têm saudades tuas e trazem dentro de si esta sementinha do teatro que eu, a Maria e Tu lhes lançamos e que tem florescido. Onde quer que estejas Amigo, hoje é o teu dia (Dia Mundial do Teatro), por isso o palco hoje é todo teu...Amanhece sobre os Lagos, amanhece será a última vez?...

sexta-feira, março 24

Mágicos e Deuses

"A vida (…) do ponto de vista químico, é curiosamente simples: carbono, hidrogénio, oxigénio e azoto, um pouco de cálcio, uma pitada de enxofre, uns pozinhos de outros elementos muito corriqueiros – nada que não possa encontrar numa farmácia normal – e pronto, não é preciso mais nada.” (…)
Bill Bryson, “Breve História de Quase Tudo”


Receita fascinante. Pelo milagre que é, pelo segredo que encerra!
A total exclusividade na igualdade do ser. O absoluto segredo que murmuramos na caminhada. Lançando desejos, cinzelando emoções.
O segredo da verdade da não aceitação pura da plasmação do milagre. Porque finito. E um verdadeiro milagre deveria transcender-se a si próprio.
Começamos, então, a determinar o segredo. A receita não podia ser tão simples. Na realidade o que premia o botão de mistura?
E como pequenos mágicos aventurámo-nos a uma “Ideia Superior”.
Outra vida! Dialecticamente conjugada.
Sim, o segredo não podia conviver com o que riscamos no espaço.
O segredo, para verdadeiro mistério, deveria residir num horizonte insondável. Mas, porque o totalmente desconhecido não é susceptível de conhecimento, fantasiámos esse horizonte de profanidade. E apelidámo-lo de sacro.
As energias ilibavam-se, assim, nesse outro lugar, conscientemente.
E a Idade Média esperaria para vingar esta nossa veleidade criativa.
Hoje, esse outro lugar, irrompe como nosso lugar numa nova espiritualidade.
E como pequenos deuses dizemos o sacro em nós. Já nada nos vale, nada nos iliba. Definitivamente sós, cinzelamos o rumo do nosso desenho. É aqui que reside a singularidade do segredo. No imperativo do diferente colorido nas telas das nossas almas.E o segredo? Apenas isto: a não existência de segredo algum!
Foto de autor desconhecido.

CHÁ VERDE

Vivemos nós num palco...?? programamos a nossa vinda a este planeta tal como de uma peça de teatro se tratasse...??? Esta foi uma das muitas questões conversadas à volta de uma mesa recheada de chávenas e canecas cheínhas de chá verde e como não podia deixar de ser algo mais consistente para ensopar o dito chá, biscoitinho também tinha Cristina, só que não acabado de saír do forno.
São reconhecidas ao chá verde imensas virtudes, há quem diga "As mil e umas virtudes", além dessas identificamos uma outra, provocar serões imensamente agradáveis como o de ontem, em que a conversa andou à volta de alguns conceitos, "o que somos... somos apenas matéria?? mais evoluída do que de outras formas de vida??? O que é a morte??? é mesmo o fim ou apenas a passagem para outro estado??? reencarnação, renascimento... Deus, ele existe ou fará parte da nossa necessidade de acreditar???
A conclusões não chegámos, nem era essa a intenção... mentira... chegámos a uma, valeu a pena o serão e vamos voltar a repetir, serviu para nos conhecermos melhor, partilharmos conhecimentos... convivemos e esta é a parte mais importante.
Aqui ficam as fotos como foi prometido e avisamos quando será a próxima sessão de chá verde para quem quiser participar...
Até aqui as preocupações foram para o nosso fisico, especialmente o Bruno que disse estar doente, mas a comer desta maneira ninguêm acreditou...
O Espirito da Lagoa Verde, o nosso amigo Fernando, que sofreu imenso para provar o bolo do Espirito Azul, ainda por cima clarinho....
Luís o nosso Vento, participava activamente na conversa, sempre debaixo de olho do Espirito Azul...

quinta-feira, março 23

HÁ MULHERES QUE TÊM PATA COM O DIABO (FEITICEIRAS??)

Eram sete da noite, os sinos tinham acabado de tocar trindades, toques aflitivos à nossa porta da rua do castelo...srª Maria, eh srª Maria, a senhora pode chegar num instante à nossa casa?!...então rapariga a tua mãe piorou? eu não lhe posso fazer nada, ela devia ter ido para o lazaredo onde vão os tuberculosos...a minha Mãe Maria da Conceição, era uma pessoa que acudia a todas as desgraças que acontecíam às vizinhas, escrevia e lia-lhes as cartas, era uma pessoa letrada, como se dizia na altura...anda daí Armando, não te vou deixar sózinho em casa...tinha eu seis anos, e lá fui eu de arrasto pela mão da minha Mãe na confusão de quem começa a querer entender em que mundo tinha vindo parar...chegamos, era uma casa pobre, um quarto apenas albergava uma família de sete almas, numa cama de folha de milho contorcia-se a Maria do Carmo...entre uma tosse medonha, balbuciava uma lengalenga...quem pega que eu largo...quem pega que eu largo, eh srª Maria a gente não sabe o que há-de fazer, ela está nisso há horas...quem pega que eu largo...quem pega que eu largo, ai, ai eu sempre soube que esta mulher tinha pacto com o mafarrico...a situação era de pôr os cabelos em pé, ainda mais dentro daquele quarto mal iluminado por um candeeiro a petróleo...eh srª, Maria, faça qualquer coisa pela alma de quem lhe é mais sagrado!! o que aconteceu a seguir ficou-me guardado para toda a vida...minha mãe, pediu um objecto, deram-lhe um pequeno cântaro de barro moldado e cozido nas olarias da Vila, rezou um credo, com o cântaro junto ao peito e entregou-o à Maria do Carmo, o jarro, auto contínuo saltou-lhe das mãos e ganhou vida, batendo em todos os cantos do quarto e partindo-se em pedaços...Maria do Carmo exalou um último suspiro e finou-se.
Ai querido filho se soubesse não te tinha trazido comigo...feiticeiras, esta Vila está cheia delas...
Treze Luas de prata cada ano tem,
e treze são os Covens Também,
Treze vezes dançar nos Esbaths com alegria,
para saudar a cada precioso ano e dia.
De um século a outro persiste o poder,
Que através das eras é levado,
Transmitido sempre entre homem e mulher,
desde o principio de todo o passado.
A Wicca ( Bruxaria) tem suas origens na cultura Celta, que predominou na Europa milhares de anos antes do Império de Roma, WICCA era uma sacerdotisa, com os seu encantos garantia a abundância nas colheitas.
BRIDA é a história real de uma das mais jovens Mestras da Tradição das Feiticeiras, e como curiosidade as bruxas adoptam para si nomes com apenas cinco letras...mas quantas Wiccas e Bridas andam por aí, lançando sortilégios e enganos, nas noites de Lua Cheia? ou será em pleno dia????
Foto de autor desconhecido.

quarta-feira, março 22

"Amor à primeira vista" de uma micaelense que dá vida ao teatro

Hoje é o dia dos actores e actrizes do Teatro Amador. Paula Vasconcelos é actriz e recorda como tudo começa e evoluí na ilha que ainda não compreende o teatro.


Paula Vasconcelos abraça a profissão de actriz amadora com toda a força que tem e acredita que existem bons actores na Região.

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"o público é muito importante para nós, especialmente quando interagem connosco. Mas existe muito a tendência de que o que é do Continente é que tem valor, e isso não corresponde à verdade"
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Nem sempre são os mesmos, fazem rir e fazem chorar. Entram na nossa vida como uma simples personagem que nos preenche a alma. Hoje celebram o seu dia, o grande esperado dia do Teatro Amador.
Paula Vasconcelos, actriz amadora na companhia de Teatro Máquina do Tempo, abraça a profissão desde a sua infância, mas, de momento, vive uma realidade gratificante, pois foi mãe há pouco tempo e teve de se afastar do palco.
A actriz de 29 anos é com emoção que fala ao JORNAL DOS AÇORES e recorda a origem da actriz "Começou por um acaso em 1998/9, em que conheci um amigo que fazia figuração na Máquina do Tempo. Fiz o casting, eles interessaram-se e estavam a precisar de pessoas, então, fiquei lá até hoje", disse.
Foi um "amor à primeira vista", assim define a actriz uma ligação que preenche a sua vida de uma forma saudável. Paula Vasconcelos, embora esteja afastada por uns tempos, não deixa o bicho morrer e recorda com carinho momentos que marcaram esta vida dedicada ao Teatro.

O ANJO E EU...
"Ainda na altura da escola fiz de anjo, que não tem nada a ver comigo. As escolas dedicam-se sempre a estes projectos". Mas nada se faz sem preparação e, no tempo de escola, a actriz frequentou uma oficina de expressão dramática, onde se aprendem técnicas tais como a projecção de voz. " A minha professora pôs-me a cantar ópera e eu, nem, queria acreditar, pois achava que não conseguia".
Emoções e sentimentos inexplicáveis a que Paula Vasconcelos quer dar contínuidade. Mas os colegas ficam sempre marcados pelas experiências vividas e pela informação e ensinamento que podem facultar. "Na Máquina aprendi bastante, quero salientar o nome de João Mendonça que já faleceu. Uma pessoa que escrevia para ti, que não dava trabalho ao actor, apenas pedia que fossemos nós próprios em palco. Ter bons colegas é muito importante, pois são eles que nos dão força". Mas as recordações não se ficam por aqui e Armando foi um dos nomes que Paula quis salientar.
"Ele está ligado às artes plásticas, é um criativo, dá asas à imaginação. Estes dois nomes que referi (João e Armando) deixam-nos crescer e interpretar à nossa maneira, mas claro com educação". Foi emocionada que falou do bebé, mas a sua paixão pelo Teatro estava marcada em cada palavra do seu discurso. A parte mais difícil é na altura dos ensaios, onde "tudo corre mais ou menos bem. Mas, quando chega a altura de estrear a peça, estou lá a 100% e tudo corre às mil maravilhas", salientou.
Mesmo na altura em que a actriz frequentava a oficina de expressão dramática essa situação já era apontada e por vezes chegava a ser penalizada na classificação final. "Tenho esse defeito de nos ensaios não dar tudo de mim, mas quando chega a altura de representar em frente às pessoas, corre tudo às mil maravilhas, não gosta de decorar papéis, mas sim de improvisar", afirmou.
Fazer rir ou fazer chorar está no palpitar da actriz em palco, que conta a primeira vez que pisou o Coliseu depois de restaurado. "Era um momento importante, o Coliseu estava todo bonito, e deu-me uma baixa de tensão, pois estava grávida de um mês. Mas no final, tudo correu bem e consegui representar e dar o melhor".
O público é muito importante nestas profissões, pois "é para eles que estamos lá. Nós até fazemos teatro de rua e é tão bom observar pessoas a aplaudirem e interagirem connosco. Demonstra que o nosso trabalho está a ter significado", mas -como acrescenta- "nem sempre é assim e existem pessoas que se afastam e não ligam". Teatro feito para o público e a pensar no público, embora a realidade seja mais do que isso.
O papel que Paula Vasconcelos gostou mais de fazer foi quando prestou uma homenagem a seus pais. " Foi na altura da escola e apanhei um 20. A ideia surgiu porque eles são os meus maiores fãs, estão sempre ao meu lado a dar apoio. Estava a representar o papel de uma louca que tinha perdido a família e os meus pais estavam acostumados a ver-nos rir. Então, no final, agradecemos a todos e a minha mãe chamou-me a atenção para o facto de faltarem os pais. Então, eu fiquei a pensar nisso e resolvi fazer uma peça para eles, e fiz a surpresa. E eles choraram muito na peça", recordou.
Paula Vasconcelos representa vários papéis mas os que mais lhe custa fazer é a personagem de uma princesa, donzela ou dama, pois "não tem nada a ver comigo. Sou toda bota para baixo, mas se tenho de fazer, faço mesmo".

AS VOLTAS DA VIDA
A vida dá muitas voltas. Desde ser casada, mãe, actriz e fazer secretariado, Paula Vasconcelos reforçou que "com força de vontade tudo se consegue e tudo se faz".
Os maiores problemas da companhia de teatro já foram ultrapassados: "temos uma sala, o problema maior é encontrar um sítio para ensaiar e também faz-nos falta a formação. É errado pensar que somos melhores que os outros, pois ninguém sabe nada".
Na máquina do Tempo temos um ambiente de união e de cumplicidade "o que significa que temos todas as condições para levar bons projectos em frente. Até porque o Armando e a Maria que fazem parte do guarda-roupa e têm uma paciência, apesar de serem pessoas excepcionais e incansáveis", sublinhou.
Existe uma tendência para pensar sempre no que é do Continente". . "Esquecem-se muitas das vezes, que nós temos também qualidade. tenho um colega que foi para o Continente estudar mais e teve que perder a sua pronúncia, infelizmente", contou.
Paula está convencida de que "as pessoas têm necessidade de ir ao Teatro, temos o da Ribeira Grande, o de Ponta Delgada e da Lagoa, mas isso aconteceu à pouco tempo. O Teatro tem de ser mais divulgado e tem de existir mais actores, senão as pessoas começam a cair na repetição que cansa o público...".
"As pessoas procuram muito o humor, gostam de se rir. Fizemos uma peça sobre uma senhora que lê a sina e muitos não acreditam em coisas assim. Tem a ver com a nossa sociedade", concluiu.
Mas, existe um público que se mantêm fiel a todas as personagens do Teatro que são as crianças, pois "interagem connosco, dizem se gostam e se não gostam.
Chegam ao pé dos actores e dizem eu gostei ou então não gostei", tudo uma questão de saber apreciar uma peça de teatro e falar a verdade.

in JORNAL DOS AÇORES
Texto: Telma Vila-Nova
Fotos: Fernando Resendes

Olá meus AMIGOS, hoje é o nosso dia e quero a proveitar a oportunidade de vos saudar a todos...e partilhar connvosco a entrevista que o JORNAL DOS AÇORES publicou hoje sobre mim... então aqui vai...

terça-feira, março 21

21 de Março - DIA MUNDIAL DA POESIA


Hoje celebrou-se mais um dia, o primeiro dia de Primavera, o Dia da árvore... e também o Dia Mundial da Poesia!
Podia escrever-vos muita coisa, partilhar convosco muitos outros poemas, mas decidi lembrar um dos mais belos poemas portugueses, do grande Poeta, Luís Vaz de Camões.
Sonhadores Saciem-no!

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

Trilho do "Sanguinho"(Faial da terra)





Meus Amigos, o passado fim de semana fui "desbravar" o tão falado trilho do Sanguinho no Faial da Terra. A paisagem é imponente, no trilho passei por ribeiras, cascatas e até quintas de laranjeiras(paragem obrigatória...lol). A vegetação é uníca, das melhores da nossa ilha, deste passeio ficou o registo de algumas fotos para fazer um pouco de inveja a todos(gajo de mau...lol).

segunda-feira, março 20

TROCAR DE ALMA

Sempre que os teus problemas se agudizam "trocas de alma", será isto possível?...era uma noite tropical como tantas que passei em África, ronronava o motor da traineira rumo a Moçâmedes, os atuns migraram para sul, havia que os acompanhar na sua viagem para águas quentes. Três da manhã, ouvi gritos ao longe, será que estou a ouvir bem?...raios partam o corisco, querem ver que caíu alguém ao mar?!...pois...pára o barco, vira 360 graus, vê quem falta, motor devagar... não aparece o Cuca, o rapaz do barco "uma espécie de pau para toda a obra", ainda por cima é preto, como é que vamos dar com ele neste negrume?.... Óóolhólhó, vira a estibordo... vai devagar, pára motor...mais um pouquinho a estibordo...marcha a ré...saca-me este homem da água. Então, meu grandecíssimo estupor, não te aguentas nas pernas, não sei o que vale mais, o gasóleo que gastamos a voltar para trás, ou ter que te gramar a ganhar meio quinhão e a fumar liamba, como um pedaço d'asno...então, deixáste a língua atrás, o gajo está branco com'a papel!!!Ahahahahah... Nunca vi um preto tão branco, foi de susto. Eram duros tempos, vividos por homens duros, seis meses de sol a sol na faína da pesca, brancos e negros lado a lado...branco é branco, preto é preto, não há racismo em Angola... Mas o Cuca nunca mais falou, nem kibumdo, nem Português, nem pio que se ouvisse...Êh macaco dum corisco, pelo menos não dizes nada!! Assim até te percebemos melhor, dois dias depois chegávamos ao cais de pesca da cidade de Moçâmedes, trinta toneladas de atum enchiam o porão, toca a descarregar...mexam-me essas mãos...Óh mestre, chega aqui, o Cuca está esquisito, está a falar como se fosse um doutor...Vai gozar com o raio que te parta...homessa e é mesmo, o que é que deu a este rapaz...
Pois é meus amigos, o Cuca não era o mesmo. Enquanto esteve mergulhado dentro de água, deve ter acontecido alguma coisa que nunca chegamos a compreender. De um rapaz simples, pouco falador, ter-se-á transformado numa criatura bem falante e cheia de arrogância. Era como se num estalar de dedos, ele tivesse passado de soldado raso a general. Mestre António do Caniçal, homem sábio do alto dos seus setenta e quatro anos, fez o diagnóstico... - O Cuca trocou de alma...
Quantas vezes trocaste de alma???

sábado, março 18

DESAFIO

Se vocês tivessem de vestir um Vento...como o vestiriam...??? Um Vento bonançoso, como uma leve brisa até ao tempestuoso...

E já agora a Lua...Lua cheia... a minguante, Lua nova... a crescente, Lua vaidosa, falsa e mentirosa...
O Nevoeiro... o Nevoeiro que tudo cobre com o seu manto... Como seria???
E esta Garça... seja ela Real ou não...???

Já agora também podíamos pensar no Espírito desta Lagoa Azul... como vocês o trajavam...???

Não nos esqueçamos do Espírito da Lagoa Verde...???

E nesta história, também existe um Rei que habita nestas Lagoas...e era tão mau...!!! Como o vestíamos...???

Ah! Temos ainda a Princesa e o Pastor... a Princesa com a fragilidade e inocência desta flor...

E por último, mas não menos importante temos um Bobo... ou será Mafarrico... que tudo confunde nesta historia.

House Made- sketch 2 - high tech

O segundo sketch da série que iniciamos na semana passada com O guitarrista
Um velho recebe a visita dum vendedor que lhe impinge um produto muito especial.